José Paulo Paes e seus poemas para brincar!

Atualizado: 30 de Jul de 2020

“Poemas para brincar”, de 1990, é um dos livros mais conhecidos de José Paulo Paes, mas brincar com as palavras é marca da poesia do autor em toda sua obra para crianças.




O que ler? “Poemas para brincar”, de 1990, é um dos livros mais conhecidos de José Paulo Paes, mas brincar com as palavras é marca da poesia do autor em toda sua obra para crianças, como observamos em “É isso ali”, de 1986 e “Lé com cré”, de 1993. Você já leu algum destes títulos? Os três são compostos por poemas que propõem à criança brincar com as palavras, seus sons, sentidos e significados, trazendo situações inusitadas que despertam seu interesse. Objetos, animais, profissões, crianças, personagens famosos, letras, palavras, cantigas servem de inspiração para o autor poetizar e, nos poemas, o jogo com a linguagem se faz presente com graça, humor e muitas surpresas. Quer ver? “Você por acaso conheceu/um contador chamado Romeu?/ Toda vez que errava/as contas, gritava:/“Erro meu! Erro meu! Erro meu!” Por que ler? Além da brincadeira observada acima, muitos são os jogos com a palavra que o poeta inventa: ao explorar o ritmo e a sonoridade delas – “O sapo cai num buraco e sai/Mas no outro buraco cai” -; ao juntar palavras ou revelar que dentro delas cabem outras – “Nasceu na primavera, a minha prima Vera” -; ao reescrever com ritmo e rimas algumas piadas – “Você sabe por que o cachorro entra na igreja?/Ora, essa quem não acerta?/Porque a porta estava aberta” etc. Em seus poemas, explora ainda ideias inusitadas –“Bicho mais impróprio!/Tinha tanta fome/que comeu-se a si próprio”; joga com o duplo sentido das palavras –“A pata empata a pata/porque cada pata/tem um par de patas” -, cria formas inusitadas de explicar significados de coisas diversas – ‘Minhoca – cobra no jardim de infância’ -; além de se apropriar de parlendas e cantigas do folclore para parodiá-las – “Se essa rua fosse minha/eu mandava ladrilhar/não para automóvel matar gente/mas para criança brincar”. Neste jogo permanente, nos três livros aqui citados, o escritor instiga o leitor a penetrar, sentir e pensar nas palavras. Instiga-o, com certeza, a descobrir e reinventar sentidos para a poesia que lê.





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